25.2.09

deu no jornal...o que pode acontecer com espíritos livres.......

alunos gregos trancam seus professores por duas horas

em Tessalônica, alunos da escola secundária trancaram 15 professores em suas salas durante duas horas.

toda a história começou na sexta-feira passada, em uma escola secundária, localizada no bairro de tumpa, quando os estudantes colavam alguns cartazes do "centro cívico ocupado", já que no dia seguinte haveria uma assembléia popular naquele lugar ocupado.

a diretora da escola, componente do partido “syriza” (à esquerda) ao ver os cartazes começou a arrancá-los, ameaçando os estudantes para que não continuassem com a ação .

essa escola teve um papel muito importante durante o movimento de ocupação estudantil, e até hoje são organizadas jornadas, palestras e projeções pelo próprios estudantes.

os estudantes não seguiram os "conselhos" dos professores, e nesta última segunda-feira os professores decidiram expulsar dois alunos do colégio.

na quarta-feira (18), ao serem informados sobre as expulsões, todos os alunos da escola se recusaram a entrar nas salas de aulas, e se abstiveram de quaisquer tipo de atividades.

foi quando, os próprios alunos trancaram os professores dentro de suas salas exigindo a não expulsão dos seus companheiros.


17.2.09

Los Bandoleros















Cansava da solidão em que forjara sua têmpera. Vivera de telhado pra telhado, janela em janela retomando o que era seu e evitando a lei por tempo demais. Fizera assim seu caminho, um olho na cenoura e outro no bastão. Escapava quase sempre. Uns poucos flagrantes dobraram-lhe um pouco o couro mas nunca a espinha que era malhada em aço.

Um dia a ambição roeu-lhe a barriga. Bastava de casinhas, trabalho de formiga desgarrada dos diabos e também cansara de fugir da ordem impertinente dos homens. Sentia-se destemido, forte e relaxado. Faria algo grande. Tomaria a cidade, talvez. Ele faria leis. Oh, sim! Lhes daria uma bela lição. Calculou que não conseguiria sozinho. Urgia alistar-se. Informou-se aqui e ali pelos subterrâneos.

-Moira, é o nome dela. Juntou um grupo infernal.

-Sim?

-Oh, sim.

Preparavam a próxima ação, algo grande e estavam aceitando ajuda. Foi bem recebido pelo bando. Pareciam meio jovens, meio loucos e entendiam bem da coisa. Gostou deles. Entre um gole e outro saudou mentalmente Virgulino, Butch e Garibaldi. Depois de comer, regozijou-se silencioso com Villa e los comancheros. Lawrence ofereceu-lhe um trago do narguilé. Aceitou agradecido.

V.M.*

* Vico Marques é chegado num clichê. Pensa ser melhor partir de um a terminar neste.

16.2.09

Bibliografia Educação Democrática, curso da Politéia

Pessoal

http://curso.politeia.org.br/tiki-index.php?page=Bibliografia+completa


segue aquela bibliografia incrível que mencionei pra vocês...a maior parte tem no www.estantevirtual.com.br....e a preços ULTRA acessíveis....se joguem no Neill, no Korcjak, no José Pacheco, Helena Singer.....vale muuuuuito a pena...

aproveitem e dêem uma navegada no site da politéia:

www.politeia.org.br


outro site bacana:

www.democraticeducation.com


Vamo que vamo!

grande beijo.......Mô

10.2.09

Sobre educação, alma e liberdade (não necessariamente nessa ordem), Henry Grazinoli

Nosso corpo é o senhor da clausura. Nossa alma é a senhora da liberdade. Nosso corpo integra o conjunto de tudo o que é materializado, e como tal, está preso em limites de tempo e divide espaço com tudo que é material. Nossa alma é o infinito, e como tal, não integra o conjunto de tudo o que existe em estado concreto nem divide espaço com coisa alguma. Nossa alma é, ela mesma, tudo o que existe. Integrar um conjunto é muito diferente de ser o conjunto. E nossa alma é o conjunto primordial. Nossa alma é o conjunto que contém diversos outros conjuntos, entre eles, o conjunto do mundo material.Dessa forma, não é o corpo que contém a alma. Ao contrário, a alma é que contém o corpo. Essas afirmações, que parecem tiradas de alguma palestra espiritualista ou livro de auto-ajuda popular, na verdade é mera questão de ponto de vista, uma maneira simples de apontar o foco da mente e do sentimento na direção da liberdade. Quando a emoção humana se aproxima dessa compreensão, a palavra liberdade ganha contornos mais nítidos e tudo o que parece abstrato fica ao alcance das mãos.Esse pensamento é quase óbvio e há claras analogias a ele em nosso cotidiano: quando nos deixamos escravizar pelo dinheiro, por exemplo, nossa vida social se torna encarcerada em condomínios de luxo e carros blindados. É exatamente assim que fica nossa alma quando vivemos em função do corpo, quando impomos limites materiais para exercer nosso papel de seres espirituais. É como prender um pássaro numa pequena gaiola. Pior. É como enclausurar um pássaro numa caixa de sapatos.Acreditar que o corpo possui uma alma é deixar a alma trancafiada no escuro, com pequenos orifícios por onde ela respira com dificuldade. É mantê-la viva sob tortura constante, convivendo tragicamente com seu desejo mais natural: voar em liberdade plena, pois assim ela é. Processa-se então, irremediavelmente, um distanciamento de alma e corpo e uma confusão primária de pontos de vista: ao invés de enxergarmos o corpo com os olhos imensos da alma, passamos a colocar nosso olho biológico no buraquinho da caixa de sapatos, para tentar enxergar a alma. Mas não é possível. Aos olhos físicos a alma é invisível e sua presença é nebulosa dentro da caixa sombria. O ser humano que olha com os olhos do corpo não pode vê-la. Não pode ouvi-la, pois o pouco de ar que circula na caixa precisa ser racionado. Para tanto, a alma deixa de falar. E tampouco pode senti-la, impedido o tato pela tampa de papelão.Essa inversão de ponto de vista talvez não fosse tão grave caso existisse a possibilidade de esquecer completamente a existência da alma. Se fosse viável viver a vida física sem a substância espiritual em paz e harmonia. Mas não é possível.A alma permanece dentro da caixa e, mesmo invisível aos olhos, nos alerta para sua existência. Sua presença é constante em nosso subconsciente e nos informa que há algo a ser resgatado, que há algo a ser resolvido, que há algo a ser descoberto. É o eco distante que persegue os ouvidos de quem abandona um filho, de quem deixa uma importante missão a cumprir, ou, simplificando ainda mais, de quem tem um trabalho a exercer e posterga sua realização. A alma enclausurada sopra seu desejo de liberdade em nossa insônia, em nossos sonhos, em nossos pesadelos, em nossas dúvidas e decisões. É como presenciar o horror de observar um semelhante preso e torturado que implora por clemência. Só é possível livrar-se dos apelos da alma escravizada libertando-a.Pensar a educação é (só pode ser) pensar no processo de libertação da alma. Do educando e do educador. Técnicas e informações fazem parte, tanto quanto o corpo, do conjunto material. Transmitir o conhecimento material com didática e competência, por si só não faz de ninguém um grande educador.Um grande educador deve estar em busca de abrir a caixa de sapatos na qual a alma é prisioneira. Deve ser alguém que mostre aos educandos seu exemplo de busca espiritual, e que compartilhe com todos o desejo de devolver à alma seu papel primordial na existência humana. Educar é procurar, junto dos aprendizes, a chave que abre as portas da prisão que esconde nossa essência mais verdadeira. Educar é buscar coletivamente a liberdade.A educação verdadeiramente democrática, processo no qual a busca pela liberdade da alma é uma constante, torna-se um imenso desafio para alunos e professores que nela mergulham com abertura e desejo sincero de encontrar a essência da vida. Isso acontece porque, normalmente, estamos protegidos por nossas cascas culturais, morais e hierárquicas (grossas caixas de sapato). E a alma, quando aparece, não é bonita nem feia, não é boa nem ruim. A alma é a alma, e pode colocar todo um processo de educação democrática em xeque caso não haja sinceridade, disposição e consonância nos objetivos da jornada a ser percorrida por educadores e educandos. De toda forma, é um desafio que vale a pena. Pela minha experiência, não há ser humano que resista indefinidamente a um processo de busca espiritual. Essa busca acaba unindo todos os corações envolvidos no ensino e no aprendizado numa única energia. E essa energia sempre se mostra carregada de afeto, de verdade, de harmonia e de paz. O grupo de educadores e educandos deixa de estar contido no conjunto material e passa a ser o conjunto espiritual. Será que esta é, afinal, a face da alma quando liberta da caixa de sapatos? Ainda não temos certeza, afinal, estamos começando a aprender a olhar pra ela. Mas sem dúvida alguma ela cria uma imagem forte, icônica, correspondente à do pássaro ao qual se devolve o vôo. Henry Grazinoli, originalmente postado no www.ouroblogue.blogspot.com